terça-feira, 27 de outubro de 2015

Pallets, caixotes e lousas

Vivemos num reino de brancos, beges e porcelanatos. Tudo muito limpo e impessoal.
Talvez este amor pelos pallets, caixotes e lousas não seja tanto pela sustentabilidade, preço ou praticidade. Talvez este gosto também seja uma busca pelo improviso, pela informalidade de um pouco de desorganização, por alguma cor quente no ambiente proveniente dos tons da madeira, pela liberdade de escrever, apagar e escrever novamente em uma lousa, ou alguma nostalgia por lembranças antigas de um tempo aonde havia tempo para si e para os outros.
Seja pelo que for, o uso combinado destes elementos é bastante charmoso e agradável. Dois bons exemplos de uso destes elementos são O Prego na Peixaria em Lisboa e a Pop Up do Café 9 em Adelaide.
 
O Prego na Peixaria (acima) tem um charme antigo. Os pallets são utilizados para estoque horizontal de bebidas. Mais ao fundo uma composição de caixotes é utilizada para estoque vertical de bebidas. O tampo de mármore do balcão cria um ponto de surpresa e contraste no ambiente.
A Pop Up do Bar 9 (abaixo) tem um aspecto bem contemporâneo e descontraído. Os pallets são utilizados na estrutura do café, nas mesas e aparadores. Caixotes plásticos fazem as vezes de bancos. A delimitação no piso é feita com a ajuda de um tapete de grama sintética, criando um clima de jardim para a loja temporária.


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Embalagens descartáveis e Original Unverpackt

Uma grande quantidade de lixo é produzida pelo uso de sacolas plásticas e embalagens plásticas descartáveis. Muitas pessoas se preocupam com os efeitos deste lixo no meio ambiente e outras se preocupam com a higiene e a proliferação de vetores.
Dentro deste cenário, foi criado o Original Unverpackt (http://original-unverpackt.de/), supermercado alemão que vende os gêneros a granel e disponibiliza embalagens retornáveis. Cada cliente pode encher suas embalagens e a pesagem é feita no caixa.
O design da loja é bem funcional, sem os apelos comerciais dos supermercados contemporâneos. É difícil imaginar que alguém fará compras por impulso ou levará para casa mais que o necessário neste ambiente.
As embalagens plásticas descartáveis têm sido utilizadas porque são mais baratas e leves. O propósito era diminuir custos e tornar os alimentos economicamente mais acessíveis ao consumidor final. O cuidado principal que deve ser tomado ao eliminar o plástico, é verificar se haverá aumento de custos finais inviabilizando a aquisição dos alimentos por pessoas mais pobres.




terça-feira, 13 de outubro de 2015

Fachadas de franquias - suporte para o logotipo

A fachada é um item difícil de replicar em uma rede de franquias porque nunca vai existir uma fachada igual à outra.
O logotipo é o item imprescindível. Ele pode ser incluído em uma testeira, em uma caixa ou solto sobreposto ao vidro da vitrine, a uma testeira ou até à parede.
A opção de sobrepor ao vidro da vitrine, como na loja Arezzo abaixo, é sem dúvida a mais leve do ponto de vista visual. A aplicação, no entanto, tem que ser perfeita. E a iluminação deste elemento em um vidro, é um fator complicante. A peça tem que ser iluminada por fora, o que nem sempre dá o destaque desejado.
 
No caso desta loja Starbucks acima, o logo não está sobre o vidro diretamente, e sim sobre a estrutura de sustentação do vidro. Desta forma é possível esconder a fiação e o suporte das letras.
As letras soltas também podem ser sobrepostas à testeira. Neste caso iluminar por dentro ou não depende do resultado final desejado.
O logo incorporado à testeira é uma opção bem elegante, mas tem que ser feito sob medida para cada loja.
 Quando o assunto é multiplicação, se um tamanho padrão de caixa para logotipo puder ser mantido e a peça puder ser fabricada em série, auxilia na diminuição dos custos totais por loja e no encaixe com relação às paredes laterais.
No caso da loja L’Occitane au Brésil abaixo temos os dois modelos: com o logo incorporado à testeira e dentro de uma caixa, na loja de esquina.

Voltando à loja da Lindt, já discutida em outro post, a testeira tem a mesma cor da caixa com o logotipo. Para o consumidor final o resultado visual é semelhante ao do logo incorporado na testeira. Para a multiplicação de lojas da mesma marca, a facilidade é a mesma de logo dentro de uma caixa.

Um detalhe que acrescenta charme ao logo é quando a forma da caixa é diferente do tradicional retângulo. No caso da Casa Bauducco abaixo, facilitou até na hora de colocar o logo no quiosque.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Vida portátil

Quanto mais a tecnologia avança, mais portátil a vida parece ficar.

Telefones fixos, celulares, computadores, jogos, calculadoras, cursos de idiomas, contato com amigos, família, pessoas que compartilham as mesmas idéias, pesquisas, livros, máquinas fotográficas, álbum de fotos, banco, lanterna, aparelho de som, televisão, reprodução e gravação de vídeos e áudio, enfim, muitas funções cabem na palma da mão em um simples Smartphone.

Com acesso à internet e Smartphone nas mãos, nada mais precisa ser fixo. Nem mesmo o endereço. Um fenômeno muito interessante é o das “tiny houses”. São casas muito pequenas que podem ser transportadas para qualquer lugar.



 

Da mesma maneira o varejo também está cada vez mais portátil. Um exemplo são os restaurantes e lanchonetes portáteis em carros, caminhonetes, ônibus, vans e pequenos caminhões, popularmente chamados de food trucks.


Um outro exemplo são lojas de roupas e acessórios chamadas de fashion trucks. Não são populares ainda por aqui, mas têm tudo para se tornar a próxima febre do varejo.



É possível colocar qualquer tipo de varejo sobre rodas e ficar sempre perto do consumidor.

Soluções de sustentabilidade

Problemas como falta de abastecimento de água, produção de energia elétrica insuficiente com altas tarifas, e excesso de embalagens plásticas no meio ambiente podem ter soluções relativamente simples e aplicação mais inteligente que as atuais.

Quando vemos o governo gastar muito dinheiro com bombas e obras para interligação de reservatórios de água por um lado e cidades sofrendo com enchentes de verão por outro, um único pensamento vem à cabeça: cisternas. Muitas pessoas trataram de fazer as suas na base do improviso para não ficar sem água, mas ainda assim parece haver muita água desperdiçada. Imagine uma rua limpa aonde todos os bueiros captassem a água da chuva para cisternas urbanas destinadas ao abastecimento local. Sem transposição entre reservatórios. Menos energia para o bombeamento. Tratamento local. Parece mais barato e mais óbvio. O estímulo para empresas e residências possuírem suas próprias cisternas também parece mais barato. 

Da mesma maneira a produção local de energia solar parece mais barata do que a construção de grandes usinas hidroelétricas e termoelétricas. E até usinas nucleares temos. Parece sem propósito nenhum. No sentido de produção elétrica, pelo menos.

Telhados ajardinados são excelentes no combate às ilhas de calor das cidades e também ajudam a combater a poluição. Se utilizados para a produção agrícola também podem ajudar a tornar mais acessível o consumo de verduras, frutas e legumes. Na impossibilidade de ajardinar, o simples fato de pintá-los de branco contribui para menor absorção do calor, e é uma opção mais barata.

Nos supermercados a questão ambiental é tratada de uma maneira estranha: as sacolinhas de plástico usadas para levar os alimentos para casa e depois transformadas em sacos de lixo por muitos parece ser o único problema. Mas todas as embalagens que vemos são de plástico. Embalagens de vidro retornáveis são a solução mais óbvia. Como era com refrigerantes há algum tempo atrás. Além disso, quem usa sacolas retornáveis tem que comprar sacos de lixo para uso doméstico. O que na prática é trocar um saco de plástico por outro.

Existem mais coisas entre nós e estas soluções  que podemos enxergar agora. Mas acredito que em um futuro não muito distante teremos a explicação de porque as coisas ainda não são assim. E além da explicação a aplicação destas soluções, o que é mais importante.


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Loja Lindt e multiplicação de conceitos


Quando uma loja faz parte de uma rede de franquias, um dos desafios do arquiteto é pensar em como será a multiplicação deste conceito, ou seja, como ele irá se encaixar em diferentes pontos de venda.

Um projeto que chama bastante atenção pela facilidade de multiplicar é o das lojas Lindt. Esta foto é da unidade do Shopping Eldorado em São Paulo.

Os móveis são formados por painéis de madeira fixados na parede com madeira cor chocolate na parte superior, também chamada de testeira, finas cremalheiras embutidas, que são guias metálicas para encaixar prateleiras, prateleiras de madeira cor de chocolate e fundos espelhados atrás das prateleiras. Na base destes painéis são colocados armários que funcionam como estoque de produtos. 
No centro da loja e na vitrine são colocadas mesas e caixas de acrílico. 

É um sistema muito fácil de encaixar em qualquer ponto de vendas. Lojas de esquina costumam ser mais difíceis e mesmo assim bastaram duas paredes para exposição de produtos. Em uma delas fica um pequeno móvel para o caixa.

Quando o cliente olha para a loja existe ao mesmo tempo uma percepção de sofisticação, conseguida com a madeira escura, fachada brilhante com moldura dourada para os vidros, uma percepção de boas vindas pelo fato da loja ter o máximo de abertura com relação ao corredor do shopping, uma visão de fartura e amplitude com os espelhos atrás dos produtos, e uma visão geral de todos os produtos, que sobressaem com suas embalagens coloridas.

Em uma das vitrines estão expostos os produtos, como naturalmente se faz em todas as lojas, mas uma segunda vitrine traz a imagem de um especialista em chocolates diante de uma panela de chocolate derretido, o que para quem gosta de chocolate é irresistível. E tudo isso com poucos elementos.



terça-feira, 6 de outubro de 2015

Museu de Arte Contemporâneo de Naoshima

Tadao Ando sempre faz belíssimas poesias minimalistas em concreto aparente.

Sem o tratamento correto, o concreto corre o risco de deixar os ambientes muito quentes em dias quentes e muito frios em dias frios. Além disso, dependendo da forma e do pé direito, o som pode criar eco e incomodar quem deseja discrição.

Neste projeto a cobertura verde e o espelho d'água no pátio interno amenizam a temperatura e formam um agradável espaço de transição entre um espaço de exposição e outro.


Museus são espaços que guardam uma certa semelhança projetual com lojas. No museu a arte é que deve brilhar. Na loja, os produtos em exposição. 

A diferença fundamental é o realce que cada peça deve ter. No museu a imaginação do observador deve ter espaço livre e neutro para viajar com o máximo de independência. É uma relação entre a pessoa e a arte. Já na loja, a ambientação deve criar um espaço aonde o cliente anteveja o sonho realizado. É uma relação entre a pessoa e o seu próprio sonho de consumo.